sábado, 29 de setembro de 2018

Educação, Memória e Identidade

Componente Curricular: Educação Memória e Identidade
Docente: Rosemary Aparecida Santiago (Lattes)

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Ementa:
Memória e identidades como instrumentos no processo de ensino e aprendizagem. Memória Social. Construção de Identidades Sociais. Memória, espaço e conflito.

Objetivos Gerais:

Objetivos Específicos:


Bibliografia Básica:




Bases Filosóficas e Epistemológicas da Humanidades

Componente Curricular: Bases Filosóficas e Epistemológicas da Humanidades
Docente: Marcio Augusto Vicente de Carvalho (Lattes)

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Ementa:
Apresentação, análise e discussão dos principais conceitos e doutrinas que moldaram a tradição filosófica e epistemológica das ciências humanas, numa perspectiva de diálogo crítico em que se cruzam influências e rompimentos.

Objetivos:

1- Oferecer uma introdução à filosofia a partir de algumas questões célebres da teoria do conhecimento;
2- Criar condições para que os estudantes consigam desenvolver reflexões críticas acerca do conhecimento e das formas de produção de conhecimento nas ciências, especialmente nas Ciências Humanas;
3- Apresentar as condições e os problemas epistemológicos que compõem a base conceitual das Ciências Humanas;
4- Apresentar um panorama histórico das teorias do conhecimento por meio de textos filosóficos clássicos.

Bibliografia Básica:

BACON, Francis. Novum Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza. Tradução e notas de José Aluysio Reis de Andrade. São Paulo: Nova Cultural, 1999, pág.38-49. (Texto 4).

DESCARTES, René. Meditação Primeira e Meditação Segunda. Meditações Metafísicas. Guinsburg, J. e Prado Jr., B. (trad.). (Os Pensadores). Nova Cultural, São Paulo, 1987. (Texto 5)

GÓRGIAS. O Elogio de Helena. Sofistas, Testemunhos e Fragmentos. Tradução Ana Alexandre Alves de Sousa e Maria José Vaz Pinto. Lisboa: Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2005. (Texto 3).

FEYERABEND, PAUL. Como defender a sociedade contra a ciência. Contra o Método. 3ª edição. Rio de Janeiro: F. Alves, 1989. (Texto 11).

FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso. (L’Ordre du discours, Leçon inaugurale ao Collège de France prononcée le 2 décembre 1970, Éditions Gallimard, Paris, 1971.) São Paulo: Loyola, 1996. (Texto 10).

HUME, David. Seções 2,3 e 4. Investigações Sobre o Entendimento Humano. Investigação sobre o Entendimento Humano. Trad. Leonel Vallandro (Os Pensadores), 2ª ed., São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Texto 6).

KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento? Tradução de Luiz Paulo Rouanet. Brasília: Casa das Musas, 2008. (Texto 7).

NIETZSCHE, Friedrich. Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral (1873). Obras Incompletas. São Paulo: Editora Nova Cultura, 2000. (Texto 8).

PLATÃO. Livro VII. A República. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1999, pág.267-304. (Texto 2).
RUSSELL, Bertrand. O Valor da Filosofia. In: BONJOUR, Laurence; BAKER, Ann. Filosofia: textos fundamentais comentados. Porto Alegre: Artmed, 2010, pág.63-66. (Texto 1).

WITTGENSTEIN, Ludwig. Primeira Parte (1-31). Investigações Filosóficas. (Os pensadores). Tradução de José Carlos Bruni. São Paulo: Nova Cultural, 1991, pág.27-39. (Texto 9).




segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Saberes para uma Educação Libertária: Educação de Jovens e Adultos como Educação Permanente



Esta produção é uma tentativa de pensar soluções para questões atuais a partir de uma reflexão sobre Educação Libertária, realizada por Everlon Campos, Daiara Santos e Eu.


Análise da educação escolar

 A análise da educação escolar feita pelo grupo compreende o percurso da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil, desde o amadurecimento de um pensamento voltado para a educação ao longo da vida que priorizasse o adulto a ser alfabetizado, bem como o aluno trabalhador, até a situação atual de jovens e adultos na escola (ou fora dela) e as taxas de analfabetismo no país.

Com a consolidação de ações voltadas para a educação de adultos e o combate ao analfabetismo no Brasil outras discussões surgem sobre o que ainda não foi vencido na EJA, os desafios enfrentados no cotidiano escolar e como efetivar ações que promovam a aprendizagem significativa do aluno trabalhador. Todas essas discussões têm como base o princípio de que a Educação de Jovens e Adultos é uma política ímpar para a construção de uma Educação Libertária.

A EJA é regulamentada em 1996 pelo artigo 37 da Lei 9394 de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, contudo, de acordo com Haddad (2007), desde o final da Segunda Guerra Mundial, tendências de centralização das ações educativas destinadas a jovens e adultos são promovidas pela da UNESCO. Na década de 70 a UNESCO partilha o princípio de Educação Permanente (Gadotti, 1998).

Levando em conta o grande desafio de diminuir as taxas de analfabetismo no Brasil, o governo desenvolve, desde 2003, através do Programa Brasil Alfabetizado, ações de alfabetização de jovens e adultos e de acordo com o MEC (2016) o ciclo do programa contava com 167.971 adultos sendo alfabetizados desde 2015.

Mesmo com a queda da taxa de analfabetismo no país, de acordo com a PNAD (2014, apud MEC 2016) cerca de 13 milhões de brasileiros com mais de 15 anos ainda não sabem ler ou escrever. Além disso, a evasão escolar se constitui um grave problema enfrentado pelas escolas que ofertam a EJA em todo o país, o que leva a questionar porque os alunos nesta modalidade de ensino não conseguem concluir o ano letivo.

Percebe-se que algumas das escolas destinadas a jovens e adultos, atuam como uma reprodução simplificada do ensino tradicional voltado para crianças e adolescentes, evidenciando assim, uma grande incoerência já que o trajeto pelo qual a criança aprende não é igual ao utilizado pelo adulto.

A partir desses dados as questões que surgem, giram em torno do que ainda pode ser feito para a promoção de uma Educação Libertária e como a EJA pode se constituir pilar importante para essa promoção.



Proposição de estratégias para promover uma educação emancipatória.
 

A primeira proposta desenvolvida está relacionada aos preconceitos estabelecidos entre a idade adulta e a aprendizagem. A ideia de que o potencial cognitivo diminui com a idade acaba fomentando o preconceito de que o adulto não é mais apto a aprender, deste modo, a educação (e principalmente a alfabetização) de adultos esbarra numa convenção equivocada de que não são necessários investimentos numa educação para a população adulta.

Pensamos que investimentos em ações de combate aos preconceitos estabelecidos sobre idade adulta x aprendizagem deve acontecer, principalmente entre o público-alvo da EJA. Nisto partimos do Princípio da Educação Permanente por acreditar que a educação acontece ao longo da vida, não em fases ou momentos determinados, e que a escola não pode estar distante desse processo. Promover a Educação Permanente significa garantia do direito de todos à educação independentemente da idade. 

Vieira (2013), registra que a Educação Permanente propicia a formação dos educandos e dos trabalhadores como cidadãos com autonomia tornando-o capazes de dialogar com as mudanças requeridas pela sociedade no sentido da justiça, igualdade e do direito de todos.

Este pensamento de Educação Permanente foi fomentado pela UNESCO na década de 70, quando recomenda a todos os países tal educação como “pedra angular da política educacional dos próximos anos para que todo o indivíduo tenha oportunidade de aprender durante a vida” (GADOTTI, 1998, p. 278).

A Educação de Jovens e Adultos deve tomar como parâmetro o pensamento da aprendizagem significativa, utilizando elementos adaptados à realidade social, econômica e cultural dos educandos. Respeitar e tomar a realidade do aluno como ponto de partida para o processo de ensino e aprendizagem também se configura uma estratégia proposta se deve conciliar práticas pedagógicas com base em uma perspectiva de letramento, transformações no projeto político-pedagógico das escolas.

Assim, além da Educação Permanente apresentada pela UNESCO em 1970 e abordadas por Gadotti (1998) e Vieira (2013). Temos a grande contribuição de Paulo Freire à Educação de Jovens e Adultos no Brasil e no mundo.

Paulo Freire (1967) lança bases de uma Educação Libertária ao registrar que “A compreensão desta pedagogia em sua dimensão prática, política ou social, requer, portanto, clareza quanto a este aspecto fundamental: a idéia da liberdade só adquire plena significação quando comunga com a luta concreta dos homens por libertar- se. a partir desse pensamento ele desenha também a EJA como ferramenta para emancipação dos sujeitos.


Outro elemento que não pode ser ignorado na Educação de Jovens e Adultos é o seu aspecto profissionalizante. A escola é também vista pelo adulto como um caminho para a qualificação profissional e melhor atuação no mercado de trabalho e a relação ensino aprendizagem não pode se desvincular dessa realidade.

A terceira proposta consiste em acrescentar ao currículo da EJA, componentes profissionalizantes a partir do pensamento estabelecido por Anísio Teixeira, que contribui para a educação profissional e de adultos numa perspectiva popular, rompendo com as propostas curriculares pensadas para crianças e adolescentes.

Anísio foi defensor da educação como instrumento de integração social e emancipação política. Defendeu uma revolução democrática, pacífica e sustentável, viabilizada pela universalização da educação nos níveis iniciais – como condição de emancipação política e equidade social determinante do desenvolvimento humano e econômico das nações.



É importante também, argumentar a favor de um olhar voltado para propostas que se desprendem do modelo convencional de escola e que atentem a fatores sociais, culturais e históricos que constituem os sujeitos da EJA.

Nisto, Darcy Ribeiro reforça a ideia de que a educação deve ser capaz de ensinar as pessoas ao mesmo tempo sobre o mundo, sobre o seu país e sobre si mesmas. A partir dessa educação os homens podiam ser herdeiros das bases do patrimônio mundial.



Quais são os pressupostos ou bases epistemológicas da sua proposta?


A proposta, como detalhada na sessão anterior, se guia pelos seguintes pressupostos ou bases epistemológicas:
• A Educação Permanente promovida pela UNESCO na década de 70 e discutida por Moacir Gadotti;
• A Educação como Prática da Liberdade e a Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire no respeito à realidade cultural do indivíduo;
• A Educação Popular e a Educação Profissionalizante defendida por Anísio Teixeira e;
• Promoção de atividades/projetos à Educação e à cultura brasileira por Darcy Ribeiro.


Fontes:

GADOTTI, Moacir. História das ideias pedagógicas. 6.ed. São Paulo: Ática, 1998. Cap. 16: Perspectivas Atuais - 1ª Parte: Tentativa Eclética

VIEIRA, Alcione Gonçalves Ribeiro. Educação Permanente: (re) vendo Conceitos. Revista: Educação, Cultura e Sociedade. ECS, Sinop/MT, v.3, n.2, p. 179-193, jul./dez. 2013.

FREIRE, Paulo. Educação Como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.

MEC - Ministério da Educação. EJA: Educação de Jovens e Adultos é Prioridade para o Governo. 2016. Disponível em http://portal.mec.gov.br/component/tags/ tag/32737-eja. Acesso em 13 ago. 2018.

HADDAD, Sérgio. Por Uma Nova Cultura na Educação de Jovens e Adultos, Um Balanço de Experiências de Poder local. – Ação Educativa GT: Educação de Pessoas Jovens e Adultas / n.18



Che Guevara e a Educação



Qual a relação de Che Guevara com as Bases da Educação na América Latina?

Esse questionamento é o que nos leva a fazer algumas leituras na tentativa de compreender como a chamada "Pedagogia da Revolução" norteou políticas e parâmetros educacionais na América Latina.

A partir da Leitura em Streck (2010) e do Filme Diários de Motocicleta, faço algumas considerações sobre a vida e a contribuição de Che Guevara para a Educação.

O panorama social mundial na década de 60 foi marcado por amplas transformações, o crescimento e o novo caráter das emergências sociais foram verificados em diversos países e a influência da educação como um instrumento de combate às desigualdades sociais passou a configurar um espaço aquecido e promissor de reflexões, análises e intervenções.

Nesse contexto, a América Latina recebe influência de políticos, educadores, estudiosos, líderes de movimentos populares, etc. dentre eles Ernesto Guevara de La Serna que encabeça movimentos revolucionários em alguns países e se torna figura principal nas discussões sobre movimento e educação popular.

O texto de Streck (2010) sobre Che Guevara, relata sua biografia e atuação pedagógica de caráter popular e revolucionário. A sua Pedagogia, chamada “Pedagogia da Revolução” pretendia a erradicação do analfabetismo; incorporação da mulher em todos os aspectos da vida política e social; Estímulo para a formação de técnicos e do ensino em áreas tecnológicas; A conversão de alguns quartéis em escolas; E uma escola onde todos pudessem estudar, sem distinção de idades ou sexo.

A pedagogia de Che Guevara, tinha assumidamente um viés revolucionário, de luta para a garantia de direitos às camadas mais pobres da sociedade. O camponês, o negro, a mulher, o operário, eram atores considerados em seus discursos sobre à educação, desde os primeiros ciclos até o ensino superior. Além disso, acredito que discussões sobre o enfretamento da hegemonia Norte Americana e principalmente a hegemonia eurocêntrica em nossos sistemas de ensino, se aportam no pensamento de Che Guevara sobre a libertação de países da América Latina das fortes heranças do colonialismo europeu e o neocolonialismo norte americano.

Quero disponibilizar um fichamento sobre o texto de Streck (2010), sobre vida e contribuição de Che Guevara á Educação Latino Americana.

Para Acessar o Fichamento CLIQUE AQUI


O filme “Diários de Motocicleta” se casa com o texto que estudei, pois retrata uma parte importante da vida de Che Guevara, sua expedição feita em sua maior parte de motocicleta com o amigo Alberto Granado.

No filme, Che Guevara conhece realidades sociais, políticas e econômicas de países da América Latina, dentre elas, minas de cobre, povoados indígenas e leprosários no Peru. Penso que uma educação que se diz popular, deve se destinar a conhecer e traçar soluções às diferentes realidades para reparo dos danos sociais.

Na tentativa de tematizar minha visão sobre educação a partir de minhas experiencias e leituras me volto justamente para as emergências sociais em nosso país, que parecem afetar de modo singular as formas de utilização a serviços básicos comuns à sociedade, como acesso à educação, saúde, saneamento básico, assistência social, etc. A demanda social para fruição desses serviços passa a ser orientada segundo as políticas adotadas para esse fim bem como o conhecimento que a população tem sobre seus direitos.

A escola pública brasileira precisa constantemente atualizar conhecimentos mais sistematizados que traduzam, expliquem e permitam, uma compreensão das demandas sociais para atendê-las de forma a garantir a equidade social. A minha questão a partir dessa leitura é: Como a escola contemporânea se articula para o atendimento das demandas sociais?

Ao longo deste curso de licenciatura pensamentos como os de Anísio Teixeira e Paulo Freire ofereceram subsídios para entender o comportamento da escola e da sociedade na oferta de uma educação de qualidade a todos. Essa convergência da literatura estudada, junto com as questões sociológicas numa visão pedagógica, é capaz de sinalizar a educação como um mecanismo transformador e de reparo dos danos sociais, impulsionando e direcionando a formação de uma sociedade mais justa.

Para acessar o link do filme no youtube CLIQUE AQUI