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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Violência, Subjetividade e Pessoas com Deficiência no Contexto Escolar


Os processos e as situações de violência embutidos no cotidiano escolar não são poucos. De forma física, simbólica ou psicológica eles invadem as subjetividades dos sujeitos: alunos, professores, famílias, funcionários... todos os atores da comunidade escolar, abrindo profundas feridas na formação da nossa sociedade, principalmente dos violentados, os excluídos, os marginalizados, os que são privados de sua própria história, impedidos de viverem plenamente como seres humanos sonhadores, autônomos, livres.

Dayrell vai dizer que a escola é um espaço de interações sociais e como tal, não está livre de todos os acometimentos políticos, culturais, econômicos e sociais fora dela. Ela espelha aquilo que, de fato, a sociedade vivencia, as injustiças, as violências, os preconceitos, mas também pode ser o espaço onde, segundo Axel Honnet, “o reconhecimento dessas injustiças e os conflitos para a construção de uma sociedade mais justa”, deve acontecer.

Esses processos de violência, parecem afetar mais profundamente aqueles que são diferentes, os que não se enquadram, de alguma forma, dentro do perfil desejado pela educação dos padrões, da cultura hegemônica, dos costumes adotados, do currículo, do tempo, das relações de aprendizagem estabelecidas.

Candau defende que a cultura escolar dominante em nossas instituições educativas, prioriza o comum, o uniforme, o homogêneo, considerados como elementos constitutivos do universal. Nessa ótica, as diferenças são ignoradas. Esses sujeitos, diferentes, se tornam invisíveis enquanto a educação acontece. É o que Bourdieu e Passeron chamam de “Indiferença à diferença”. E quando são notados, são encarados como um problema a se evitar, ou a se resolver.

Olhando para os nossos estudantes, Moreira nos questiona: Como lidar com alunos tão distantes da visão idealizada de estudante que escola sempre cultuou? Como lidar com alunos portadores de necessidades espaciais, com dificuldades de aprendizagem, com condutas inesperadas? Como entendê-los melhor?

E continuamos a nos questionar: Como pensar o amor, o direito à diferença e a solidariedade para a construção de uma sociedade mais justa? Como pensar a formação do professor, a acessibilidade e a cultura que prevalece dentro das escolas, os valores construídos, os hábitos adotados, os processos de desenvolvimento tão engessados? Como rodar essas chaves? Abrir novas portas para que as violências sejam minimizadas na vida prática e na subjetividade dos sujeitos?
 


REFERÊNCIAS

BOURDIEU, P.; PASSERON, J. C. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

CANDAU, Vera Maria. Diferenças culturais, cotidiano escolar e práticas pedagógicas. Currículo sem Fronteiras, v. 11, n. 2, p. 240-255, jul/dez, 2011.

DAYRELL, Juarez T. A Escola Como Espaço Sociocultural, Educação em Revista. B.H.(15):21-29. Jun 2000.

MOREIRA, Antônio Flávio. Identidades, saberes e práticas. Educação e filosofia, Uberlândia, v. 20, n. 40, p. 137-157, jul./dez. 2006.



CAMPOS e SAMPAIO (2019): Gênero, Sexualidade e as Multiplas Faces da Violência no Espaço Escolar - ARTIGO


Resumo

O presente trabalho registra algumas reflexões práticas e teóricas construídas no percurso do Componente Curricular “Violência e Subjetividade”, enquanto traz como pauta principal as diversas faces da violência relacionadas às identidades de gênero e sexuais dentro do espaço escolar. Para tanto, são consideradas aqui, contribuições teóricas de estudiosos e intelectuais contemplados durante o curso, além de leituras realizadas em outros componentes curriculares como “Educação, Gênero e Diversidade Sexual” para tratar primordialmente da homofobia como violência recorrente nas instituições escolares.

Palavras-Chave:
Violência, Educação, Gênero, Diversidade Sexual.


1. Introdução


Estabelecer conexões com o que se entende sobre violência e as identidades de gênero e sexuais dentro do contexto escolar, é o que se pretende, tendo em vista o processo formativo da discente no Componente Curricular “Violência e Subjetividade”.

Dentro dessa proposta, apanham-se conceituações exploradas durante o curso trazidas à reflexão junto com a obra “Gênero, Sexualidade e Educação” de Guacira Lopes Louro, publicada na década de 90, que se mantém como importante aporte teórico às discussões sobre educação e diversidade sexual pelo seu teor crítico e sua contribuição social e política. (para acessar o texto completo, entre em contato com o autor do blog)

AKKARI e SANTIAGO (2015): Diferenças na Educação: Do Preconceito ao Reconhecimento - Apresentação

Disponibilizo uma apresentação feita para discussão sobre o texto:

AKKARI, Abdeljalil; SANTIAGO, Mylene Cristina. Diferenças na Educação: Do Preconceito ao Reconhecimento. Revista Teias v. 16 • n. 40 • 28-41, 2015 (p. 28 - 41).

Para acessar a apresentação CLIQUE AQUI







Educação para as Diferenças

Componente Curricular: Educação para as Diferenças
Docente: Ayalla Oliveira Silva (Lattes)

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Ementa:
O discurso da inclusão, da diversidade, da desigualdade e da diferença. Estudo do Bullyng como sintoma de um modelo de sociedade e educação. Análise das possibilidades de cada um num processo de integração e de complexidade tecer juntos. Diferentes metodologias de ensino articuladas e coerentes com o respeito à diversidade física, ideológica, psíquica, sexual, étnicoracial, cultural e socioeconômicos presentes no cotidiano escolar. Observação e identificação de escolas das redes de ensino estadual e municipal e o desenvolvimento de projetos de ensino sobre a educação para as diferenças.

Objetivos Gerais:

Bibliografia Básica:


BALIEIRO, Fernando e SOUSA, Karina. “Um novo olhar sobre as diferenças no espaço escolar: contribuição da sociologia das diferenças na formação do professor”. In: BATISTA, E.; SILVA, S. Desafios e perspectivas das Ciências Humanas na atuação e na formação docente. Jundiaí: Paco Editorial, 2012.

SOUZA, Amaralina Miranda de, et all. Educação e Inclusão: Trabalhando com as diferenças em sala de aula. Universidade de Brasília, Centro de Formação Continuada de Professores, MECSEB, 2005.

VELHO, Gilberto (org.).Desvio e divergência: uma crítica da patologia social. 8.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003